Antecipar informações, manter referências da rotina e estimular a autonomia ajudam a tornar o período mais seguro e confortável para crianças e adolescentes no espectro.
O período de férias escolares costuma ser aguardado com expectativa por muitas famílias, mas, para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), as viagens e a quebra da rotina podem representar um desafio importante. Mudanças nos horários, ambientes desconhecidos, excesso de estímulos sensoriais e a imprevisibilidade do percurso podem gerar desconforto, ansiedade e episódios de desregulação emocional, especialmente quando não há preparação prévia.
De acordo com a psicóloga Isabella Roque, especialista em neurodesenvolvimento da Casa Trilá, do grupo ViV Saúde Mental e Emocional, antecipar informações e estruturar a experiência da viagem é fundamental para promover segurança emocional.
“Crianças com TEA tendem a se sentir mais reguladas quando sabem o que vai acontecer. Avisar com antecedência sobre o início das férias, explicar quantos dias elas vão durar e descrever cada etapa da viagem contribui para reduzir a ansiedade e fortalecer a previsibilidade”, explica.
Manutenção de referências da rotina e validação das emoções
Entre as estratégias recomendadas pela especialista está a manutenção de alguns pilares da rotina, mesmo durante as férias, como horários para alimentação e sono, além da validação das emoções que podem surgir nesse período.
“É comum que a criança sinta alegria, empolgação ou incômodo antes e durante a viagem. Reconhecer que esses sentimentos são naturais ajuda no processo de autorregulação”, destaca Isabella.
A preparação também pode incluir o treino de habilidades práticas, como arrumar a própria mala, escolher roupas e separar objetos de apego, como brinquedos ou itens que tragam conforto emocional.
Preparação para deslocamentos e novos ambientes
Outro ponto importante é preparar a criança para os deslocamentos e para o ambiente que será encontrado no destino. Explicar previamente se a viagem será de carro, ônibus ou avião, que será necessário permanecer sentado por mais tempo e que sons, pessoas e cheiros diferentes podem surgir ao longo do caminho ajuda a diminuir o impacto sensorial.
“Ao chegar ao local das férias, é esperado que a criança precise de um tempo para se adaptar. Permitir pausas, respeitar os limites e oferecer momentos de descanso são atitudes que favorecem uma experiência mais positiva”, orienta a psicóloga.
Material de apoio para famílias e crianças
Como forma de apoiar famílias nesse processo, a Casa Trilá desenvolveu um material gratuito de história social, elaborado com linguagem acessível e foco no desenvolvimento da autonomia de crianças e adolescentes com TEA. O documento, que pode ser baixado neste link, apresenta de forma estruturada o passo a passo das férias e da viagem, ajudando a criança a compreender as mudanças de rotina, se preparar emocionalmente e participar ativamente do planejamento.
Sobre a ViV Saúde Mental e Emocional
A ViV Saúde Mental e Emocional é o maior grupo de saúde mental do Brasil e oferece tratamento da baixa à alta complexidade, com cuidados personalizados e o propósito de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes.
Presente em seis estados do País e no Distrito Federal (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e São Paulo), com treze instituições e mais de trinta unidades de atendimento com credenciamento de diversos convênios de saúde, a missão da ViV é elevar a vida ao seu melhor e integrar os lados físico, mental e social de cada paciente, com uma abordagem baseada no equilíbrio entre o científico e a sensibilidade humana.


